Vestígios

“Por toda a parte que se olha, há vestígios da vida querendo ser vista. Cabe a cada um de nos educar nossos olhares entender e saber expressar as emoções.
Passamos a maior parte do tempo presos a coisas que não fazem o menor sentido que nos suga a vitalidade e faz com que desapareça ou se adormeça a criatividade criativa que temos em nós, necessitamos exercitá-la como a um neuronio que por sinapses capta e transfere por questões de milézimos de segundos toda a energia, a transformando em ação, emoção, direção … Bendito aquele que ao ser contemplado pela alegria de viver aceita de braços abertos essa dádiva despertando para tudo que antes não tinha cor, dilatando sua pupila emocional para aproximar e captar todos os detalhes da imagem registrando-a em todos os sentidos. Sentindo seu agradável cheiro, sua aspera superfíciem, seu doce sabor e escutando suas badaladas como as de um grande sino oriental tocadas tradicionalmente na na china para o despertar de um novo ano e simbolizando superações.”

De: Geórgia Marques - https://www.facebook.com/profile.php?id=100002489736012

Publicado em abril | Deixe um comentário

Lixo Musical

Imortalidade volátil de um suspiro decadente, somos e queremos sempre estar com um sorriso sempre a postos. O duplo que conspira, alternando entre o eu filosófico, pueril, ascendente com minha dialética de duplo. O que seria uma fração de segundos, entre a razão sensível, o habitus, a patogênese do ideológico transformado em coisa não-pensante, em materialidade da alma, em mercadoria na palma das mãos.
Digo isso, pois vejo sendo verbalizado por imberbes, que acreditam ser o ícone de uma juventude não transviada. O gosto por uma “musicalidade” que está longe de chegar perto do ridículo. Refrões são entoados como um hino à mediocridade não revelada, que está no caráter ainda em formação, de seres que não fazem a mínima ideia do quão ridículo o é.
Abram suas cabecinhas enquanto a droga musical ainda é reversível; Sejam direção oposta do que manda e coage a indústria da não-cultura-musical-decadente-não-revelada. Não beirem a raia da obtusidade, sejam, façam, criem, verbalizem, aflorem, cresçam, explore, seja curioso, seja crítico…. Leia mais, não esses obsoletos instrumentos de idiotização transformadora e incubadora de pensamentos rasteiros. Leia os clássicos, seja Neruda, coma poesia, verta Pessoa, sue Whitmam, fale com Eliot, conspire com Kafka, almoce com dostoiévski, jante Cecília, sonhe com Morais. Ouça o que ainda não foi descoberto, não o acobertado pela futilidade.
A escolha é sua, o ouvido, garganta, nariz e pescoço são seus. Mas só peço por favor, num dialeto ainda não conhecido pela maioria, não sou obrigado a comungar com você do obscurantismo gigantesco e redundantemente negro que paira sobre sua cabeça, num verbo não lexical quando está perto de mim. Faça um favor a você mesmo, para mim e para o resto do resto da maioria. Nossa consciência individualizada não precisa de você. Então desapareça com esse seu funkezinho medíocre, que materializa a mulher brasileira, que banaliza o que há de mais lindo, sagrado e profano na nossa galáxia.
Se não gostou do que leu, pegue sua opinião coloque-a no colo e vá ver novela, eu agradeço.

Célio Bernardo – @CelioBernardo

Publicado em abril | 2 Comentários

Egos

O cadáver sem sepultura tem o céu por mortalha. Divagações não são verdades supremas, mas o início de uma longa jornada.
Inicio com a fala de Thomas Morus, para exaltar o quão as pessoas que nos circundam, são destituídas de caráter e olha que caminho muito. Andamos envoltos em nossos próprios egos, temos como vestimenta o egoísmo que nos tornam únicos. Olhamos para a pessoa ao lado e num simples e breve olhar, definimos raça, credo, cor e uma infinita variável de subjetivos pérfidos e patéticos, que combinam com a obtusidade de um ser bestial.
Não tomemos o outro como um animal selvagem a espera da doma, esse dom inerente do ser, que quer a conquista, submissão, seja a base da força espicaçando meu semelhante. Temos na historia da humanidade, elementos suficientes para nos classificar como o pior de todos os animais, mas essa classificação fica a critério do outro.
Necessitamos de maior compreensão, de uma estrutura que nos ensine diferenciar o que é bem e o que é mal. Procuramos respostas em livros que argumentam, mas não nos falam o caminho certo a seguir. Paramos nesse paradigma, estáticos, com medo. Caminhamos pra onde o vento sopra, caravela a mercê do vento. E que vento mesquinho. Falar da estrutura estatal é como falar a uma criança que faz birra. Falar de quem consome essa estrutura, é falar ao vento, pois se mata filósofos que saíram de sua cela, para o continuísmo se fazer morada. Somos assim, eu maldigo o que me é conveniente, abomino o outro eu e faço escola da minha própria escolha.
A própria dúvida está em dúvida, serpenteando o axioma universal dentro de minha cabeça, quem é certo ouvir? Responder ao “boa noite” da TV já não me amedronta, pois sigo os passos que me manda esse écran, colado à parede, dizendo que sou parte de um todo. Um todo aviltado por poucos, mas que o critério de verdade se torna universal assim que tomo o controle em minhas frágeis mãos de milo, Vênus sem estrelas.
Você que assiste a essa televisão, lixo, não cultural, corrosivo num processo não reciclável, cuidado, você pode contaminar com a própria baba que escorre canto afora de sua boca, quem está ao seu redor, aqueles a quem diz amar. Você que ri de falsos humoristas, com suas piadas pejorativas, preconceituosas, passando e repassando o preconceito inerente e subliminar em suas falas. Acompanhados dessa “mercadoria” que infelizmente vende muito – o corpo feminino – quase -nu. Os programas educativos infantis praticamente inexistem; menos mal que este padrão está saindo da fase de apresentadoras “antas oxigenadas” de vocabulário limitado. Triste é constatar que elas fizeram escola, ao se deparar com pessoas usando tolas formas de se expressar: “bjusss”, “voxêisss”, “adolu” e outras pérolas da idiotice declarada, estupidez ambulante. Os matutinos e vespertinos de variedades são verdadeiros “shoppings” digitais oferecendo toda sorte de produtos supérfluos, sem nenhuma aplicação funcional. Fofoca e “veneno” sobre celebridades também dão o tom.
Não quero falar disso, me chateia, pois sempre tem uns e outros que defendem toda essa estupidez. Dizem que na minha forma de expressar eu dito o que é certo e errado. Logo eu que incito a crítica nas cabecinhas de meus alunos. Só queria falar mais uma coisa, na TV as cenas de sexo não são explícitas, mas estão bem próximas. Assim como a violência gratuita presente e justificada pelos diretores e escritores como demonstração do que se passa a nossa volta.
Em outras épocas estes, endeusados, escritores de novela atuais não passariam de “escritorezinhos” de segunda em editoras de terceira com seus livros comercializados em sebos e afins ( não tenho nada contra sebos, passo horas neles). Importante ainda ressaltar que a grande maioria dos atores não tem sequer formação escolar básica e são, perigosamente, formadores de opinião em função do sucesso. Estamos vivendo uma metamorfose em nossa miscigenada cultura. De contestação à ….! Deixo vocês tomarem suas próprias conclusões. Abraços e viva la revolucion!
Célio Bernardo – @CelioBernardo - https://www.facebook.com/celiobernardo
Publicado em setembro 2011 | 7 Comentários

Dragões e Calor Humano

O ser humano é o único animal da espécie que por sua capacidade de raciocínio criou a comunicação utilizando-se de códigos verbais, orais ou visuais. Desde a antiguidade a história humana é fundamentada em mitos, verdades e mentiras. Com o decorrer do tempo  os mitos que antes eram usados para contar histórias tradicionais por seu elevado poder de persuasão, foram banalizados e substituídos por histórias particulares, inventadas e reinventadas por pessoas comuns em seu cotidiano como bem entendessem. A partir daí a idéia de que uma “mentirazinha” não prejudica em nada foi ganhando potencial e sem que todos percebessem se inserindo ao meio. O brasileiro com suas peculiaridades fizeram jus ao conceito, volta e meia vem se ridicularizando com o “jeitinho”. Temos como exemplo a decadência política no Brasil com seus políticos sabotadores, alguns adeptos natos ao ato de corromper. O jeitinho brasileiro não é algo a se orgulhar, muito menos um feito que deve se inserir como identidade de um país. Os políticos deveriam exercer suas devidas funções de identificar e buscar soluções as reais necessidades da sociedade, a qual foram eleitos para executar. O eleitorado por sua vez,  tende a criticar a decadência política no país, não eliminando assim velhos e conhecidas práticas de se deixar corromper. É necessário ser cidadão e saber o que significa essa palavra, aniquilar hábitos mal quistos pela ética em social, não acreditar na velha história de que obrigatoriamente, se o outro erra devo ser cúmplice. “Ser honesto não funciona como vale brinde, seja honesto e ganhe um lanche na pastelaria da esquina.” Agregar valores morais é se tornar cidadão é digno. Ser astuto é “aprender” a votar, reivindicar quando seu deputado, prefeito, senador ou seja lá quem for não cumprir ou superar suas expectativas enquanto membro de uma sociedade democrática. Lutar por direitos e exercer com equidade seus deveres para que essa luta tenha validade. É deixar de alimentar o grande “dragão” que arromba seqüencialmente os cofres públicos. Antes de sermos estudante, pais, professores, juízes, políticos somos cidadãos e temos obrigações diante a uma sociedade. O jeitinho brasileiro precisa se desmistificar. Afinal essa terra, é a terra do calor humano, do cuidado, onde as pessoas têm sim mais facilidade de se identificar umas com as outras em meio a miscigenação de cores e descendências que faz do Brasil esse pais colorido.

Texto de Geórgia Marques

contatos: georgiafh@hotmail.com / facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100002489736012

 

 

 

 

Publicado em setembro 2011 | Deixe um comentário

Terráqueos

Componho três estágios da verdade, na constituição do que chamamos de seres humanos:
1 – ridicularizarão
2 – oposição violenta
3 – aceitação
 
Terráqueo: substantivo. Habitante da terra.
 
Já que todos nós habitamos a terra, somos todos considerados terráqueos. Não há discriminação de sexo, raça ou espécie no termo terráqueo. O termo inclui cada um de nós.: mamíferos ou invertebrados de sangue frio ou quente, pássaros, repteis, anfíbios, peixes e humanos, igualmente. Os humanos portanto, não sendo a única espécie no planeta, compartilham este mundo com milhões de outras criaturas vivas, já que todos nós evoluímos aqui juntos.
Contudo, é o terráqueo humano, que tende a dominar a terra, freqüentemente tratando outros terráqueos e seres vivos como mero objetos. Isto é o que significa “especimismo”.
Numa analogia com o racismo e sexismo, o termo especimismo é o preconceito a favor dos interesses dos membros de uma espécie contra os membros de outra . Se um ser sofre, não há justificativa moral para não levarmos em consideração esse sofrimento. Não importa qual seja a natureza do ser, o principio de igualdade requer que o sofrimento de alguém seja equiparado ao sofrimento de qualquer outro ser.

Os racistas violam o principio de igualdade, dando peso maior aos interesses dos membros de sua própria raça quando há um conflito entre os seus interesses e os de outra raça.

Os sexistas violam o principio de igualdade ao favorecer os interesses de seu próprio sexo. De forma semelhante, os especistas permitem que os seus interesses anulem os interesses dos membros de outras espécies.
Em cada caso, o padrão é idêntico. Embora reconheçamos dentro da família humana, o imperativo moral do respeito, no qual todo ser é alguém e não algo, mesmo assim tratamentos moralmente desrespeitosos ocorrem, quando os que detem o poder em uma relação tratam os mais fracos como meros objetos.
O estuprador faz isso com a vitima de estupro. O molestador de crianças com a criança molestada. O senhor com o escravo. Em todos os casos, os humanos tem o poder para explorar aqueles que não tem poder. Pode o mesmo ser válido quando humanos tratam outros animais ou outros terráqueos?
Sem dúvida, há grandes diferenças, já que humanos e animais são diferentes em todas as formas. Mas a questão de igualdade tem outro sentido. É obvio, estes animais não tem todos os desejos que temos. É obvio, eles não compreendem tudo o que compreendemos. Mas tanto eles quanto nós temos alguns dos mesmos desejos e compreendemos algumas das mesmas coisas. O desejo de comida e água, abrigo e companhia, liberdade de movimento e prevenção de dor. Estes desejos são compartilhados por animais não-humanos e humanos.
Quanto à compreensão, como os humanos, muitos animais não-humanos entendem o mundo no qual vivem e se movem. De outra forma, não poderiam sobreviver. Assim em meio a tantas diferenças, existe a semelhança. Como nós esses animais incorporam, o mistério e a maravilha da consciência.
Eles não são irmãos, não são servos. Eles são outras nações.
Como pode um indivíduo ser chamado de ser humano, dotado de capacidades físicas e mentais, ter a coragem, de abandonar nas ruas, jogar, desfazer de um animal de estimação por exemplo?
Tristemente, quase 50 % dos animais que são levados aos abrigos são entregues pelos que cuidam deles. Quando se tem sorte, são adotados. Quando não, recebem uma injeção, em uma das patas e morre sem agonia. Mas o custo é alto e em muitos casos são usados câmaras de gás. Somos todos nazistas, consciente ou inconscientemente. Devemos aprender a empatia, devemos aprender a olhar nos olhos do animal e aprender a importância de sua vida simplesmente por ele estar vivo.                                                                                                                                                                                                                              Célio Bernardo – @CelioBernardo

Publicado em julho | 6 Comentários