REPÚBLICA DAS GOIABAS

A futura posição do Brasil na geopolítica deste e do outro mundo

No outro mundo, o país em que uma futura ministra declara ter visto Jesus em uma goiabeira, decididamente estaremos bem em 2019. Neste mundo, o real, não sei…por Flavio Aguiar publicado 13/12/2018

Decididamente, no outro mundo estaremos em boas mãos em 2019.

Nosso futuro presidente, Jair Bolsonaro, é Messias. Damares Alves, Nossa futura ministra dos Direitos Humanos, da Cidadania, da Família, talvez dos índios, e afins, viu Jesus subir na goiabeira onde ela estava trepada, inconsolável.

nosso futuro chancelerErnesto Araújo, cita como testemunho direto uma versão escrita, quase 4 séculos depois, de suposto depoimento do primeiro rei português, Dom Afonso Henrique, supostamente na sequência da batalha de Ourique, onde este daria conta de suposta visão que teve de Cristo prometendo-lhe a vitória contra cinco reis mouros. A batalha aconteceu na primeira metade do século 12, o suposto depoimento foi escrito a pedido de D. Manuel, o Venturoso, no começo do 16. Convenhamos, é muita suposição para um depoimento só. Mas historicamente , pelo visto, isto não importa.

Vai ver até que Jesus, que, pelo visto, além de caminhar sobre as águas, sobe em goiabeiras, lá esteve em Ourique (ou onde for, pois historicamente até o local da batalha é incerto) ou onde ela tiver acontecido e o suposto sonho do rei também. Sugiro que o carro presidencial, daqui por diante, tenha escrito em seu para-choque: “Se Jesus está na minha goiabeira, quem poderá contra mim?”.

Mas neste mundo, não sei. A coisa está complicada. Pela primeira vez na História, assim, com H maiúsculo, nossa política externa estará vinculada não à de um outro país – isto já aconteceu, embora em curtos períodos – mas à de uma facção de um partido político estrangeiro, os “Trumpetes” do Partido Republicano, que reúne em torno de si a escória da política mundial: além de Trump et caterva, Orban, Salvini, John Bolton, Steve Bannon, o Vox da Espanha, a extrema-direita holandesa, et al. da mesma laia.

Tudo em nome de uma fake-soberania-nacional, contra aprovações da ONU e de outros organismos internacionais. O futuro chanceler prometeu retirar o Brasil do acordo sobre migração da ONU, firmado no Marrocos dias atrás. Um insulto à história diplomática brasileira e ao Itamaraty.

A política externa brasileira desde há muito obedeceu a padrões profissionais e soberanos. Lá nos tempos coloniais, o mais pragmático Alexandre de Gusmão, o irmão do visionário Bartolomeu, aquele da barcarola que tocou fogo (pelo menos segundo a lenda) nas cortinas do Palácio Real de Lisboa, criou o Tratado de Madri, que substituiu o princípio do dito papal (de Tordesilhas) pelo direito do uti possidetis, uma espécie de uso capitão internacional, isto é, vamos ver como está a situação real das ocupações para ver quem fica com o quê.

O tratado não foi bom para os nossos índios guaranis das missões dos Sete Povos no Rio Grande do Sul. Houve revoltas, andanças militares, massacres e daí surgiu um de nossos primeiros mártires santificados popularmente, Sepé Tiaraju, cacique e corregedor da Missão de São Miguel, morto em combate em 7 ou 10 de fevereiro de 1756. Mas o tratado correspondia a uma extraordinária modernização da geopolítica de então, liberando-a do lastro eclesiástico e abrindo-a para uma espécie de realismo pragmático.

Depois, episódios de soberania não faltaram. D. Pedro I, com seus impulsos atrabiliários, livrou-nos dos laços portugueses. D. Pedro II enfrentou tanto a política do Rosas no Prata quanto as pretensões europeias na mesma região.

Há quem diga que o Brasil agiu no Paraguai de acordo com os ditames britânicos. Discordo. Sem negar os horrores cometidos nesta infeliz guerra, penso que o Brasil agiu por conta própria e Lopez foi um destrambelhado agressor, além de um péssimo analista da cena local e global. O que não justifica as atrocidades cometidas pela Tríplice Aliança contra a população paraguaia. 

A seguir D. Pedro II enfrentou soberanamente o Império Britânico, que nos fizera herdeiro da dívida portuguesa pelo transporte de João VI para o Rio de Janeiro, além de outras. Houve ter rompimento de relações por ocasião da chamada questão Christie. (E isto quem vos fala é alguém que, se vivesse naquelas épocas, teria combatido pela República nas tropas farroupilhas ao lado de Garibaldi, Anita, Teixeira Nunes, Netto Bento Gonçalves, Corte Real, Lucas de Oliveira, e tantos outros).

Rio Branco, depois, deu início a uma formação de nossa diplomacia que hoje é respeitada mundialmente como das mais profissionais e competentes do mundo. Os alinhamentos automáticos com os Estados Unidos aconteceram esporadicamente: no governo Dutra, no governo Castelo Branco, no governo Collor. Até mesmo durante a maior parte da Ditadura de 64 o Brasil manteve uma política externa autônoma.

Mas agora estaremos nas mãos das continências do nosso Messias à bandeira norte-americana, ao John Bolton, e das admirações do nosso futuro chanceler pela salvação que a parcela mais retrógrada do Partido Republicano ditará para o “Ocidente” seja lá o que isto signifique.

Que Jesus na Goiabeira nos proteja!

Fonte: https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-do-velho-mundo/2018/12/a-futura-posicao-do-brasil-na-geopolitica-deste-e-do-outro-mundo

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Bom Dia Angústia.

Temos lembranças, fatos passados que não voltam mais, ou ainda bem que não voltam mais.  A dor de uma perda, uma palavra não dita, um acontecimento que talvez tenha deixado uma lembrança ruim que queremos esquecer. Ou mesmo boas lembranças. Vivemos presos. O futuro é incerto, me perdoem as pessoas que acreditam em horóscopo, talvez torcerão a cara ao ler isso, mas o futuro é incerto, previsões são meras previsões e na maioria das vezes, ele não é como imaginamos, como sonhamos. Está morto assim como o passado. Pequenas mortes cotidianas, pois a morte não é somente a biológica. O passado e o futuro, estão mortos.

Acho que a promessa de uma vida além-túmulo, de um paraíso onde encontraremos com as pessoas que já se foram, é que enche as igrejas e templos e bolsos por aí afora. Essa promessa, que gera um conforto momentâneo. Vivemos uma vida dialética, entre o passado que já se foi e um futuro incerto. Esquecemos de viver o presente, de aceitar o que temos, de dar valor ao que possuímos. Não damos valor ou esquecemos por exemplo, dos amigos, dos familiares, do professor, do motorista do ônibus, não enxergamos o que realmente importa.

Projetamos coisas que não podemos ter, sonhos que talvez nunca se tornarão uma realidade, e isso gera angústia. As doenças modernas estão à espreita em cada esquina, a espera de um descuidado que vagueia com o rosto na tela do celular. Solitários somos cada vez mais, egoístas e egocêntricos.

Segundo Epíteto, filósofo estoico – “Quanto a cada uma das coisas que sucedem contigo, lembra, voltando a atenção para ti mesmo, de buscar alguma capacidade que sirva para cada uma delas. Caso vires um belo homem ou uma bela mulher, descobrirás para isso a capacidade do autodomínio. Caso uma tarefa extenuante se apresente, descobrirás a perseverança. Caso a injúria, a paciência. Habituando-te desse modo, as representações não te arrebatarão”.

Procure a si mesmo, eleva tua espada acima das águas, ouça o barulho da chuva, aja com justiça e procure a sabedoria nos lugares mais incertos, seja e aproveite o hoje, viva mais, ame mais, sorria mais, se alimente com calma e com qualidade. Domine seu lado animal, seus impulsos seja senhor do seu lado irracional, diga não e se ponha no controle da sua vida, sendo assim diga todos os dias ao acordar, bom dia angústia.

Célio Bernardo – @kiekgaard

De olhos fechados

Sinto pena dos desesperados que com seus sonhos na palma das mãos, escorrendo por entre os dedos deduz, seduzido por outro, o quer comprar para ocupar o espaço entre um porta retratos e outro. Várias imagens me seduzem, poucas me contentam, um monte de subjetividades sendo batidas no liquidificador, bebo de olhos fechados esse liquido com um gosto que não condiz com a imagem.Sofro em silêncio, calado, mudo, atordoado pelo barulho do ventilador que leva para longe meus desejos e vontades, amordeçado, roto, mudo. 

O controle remoto não funciona, o quarto está escuro, você dorme e eu viajo nas palavras não ditas, nos sorrisos contidos, nas fórmulas não resolvidas. Viajo com pequenos regressos porém sempre com os mesmos desejos!

ciúmes da lua

…a lua desperta inveja até em postes.

Descobrimos todos s dias o quão ignorante somos ao perceber que podemos mais. Sermos mais tolerantes, sermos mais amigos, sermos mais. Temos a idéia nonsense de que a felicidade é tangível, de que podemos alcançá-la, não. E em alto e bom som ela está presente em todos os momentos de nossas vidas, basta reconhecerem. Um pai ao segurar seu filho, alimentar de dois em dois minutos um gatinho recém nascido e órfão, com 200 ml de leite preparado, amornado, e num colo acalorado receber sua recompensa depois de miados agudos e hipnotizantes e ter o delicioso silêncio imperando. Ficar roxo de tanto rir, e rir da vermelhidão alheia, o mojito voltou depois de um grande passeio. Até um poste de luz tem sonhos…sonha em ser lua, pois ninguém sonha com postes e sim com luas. O momento não pode ser equacionado com o tempo de espera pela sua tão oblíqua visão, seja amplo. Comungue sua felicidade é bom termos testemunhas, relativizada são os sentimentos mundanos, ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado, olhe com paixão, derramem seus olhares, vulgarizem seus muros e joguem fora os tijolos. Não cuspa sacrilégio ao sorrir diante de uma sensação falsa de conquista de algo embasado no seu valor comercial, imposto, que você calcula pelo valor monetário estampado em cifras, comece prestando atenção em seus pais e nos olhares que eles trocam, no carinho que sentem, no tom de voz que eles usam ao te chamar em algum canto da casa, no cuidado que eles tem com vocês, no calor do abraço que dão, agora tentem valorizar isso comercialmente, principalmente se um deles não esteja mais aqui, reconheça esses momentos. Aposente sua visão do outro e cultue seu próprio Eu, a vida do outro não te interessa, você sentirá uma paz tão grande que por momentos confundirá com felicidade.

Sonhe mais com postes!