Bom Dia Angústia.

Temos lembranças, fatos passados que não voltam mais, ou ainda bem que não voltam mais.  A dor de uma perda, uma palavra não dita, um acontecimento que talvez tenha deixado uma lembrança ruim que queremos esquecer. Ou mesmo boas lembranças. Vivemos presos. O futuro é incerto, me perdoem as pessoas que acreditam em horóscopo, talvez torcerão a cara ao ler isso, mas o futuro é incerto, previsões são meras previsões e na maioria das vezes, ele não é como imaginamos, como sonhamos. Está morto assim como o passado. Pequenas mortes cotidianas, pois a morte não é somente a biológica. O passado e o futuro, estão mortos.

Acho que a promessa de uma vida além-túmulo, de um paraíso onde encontraremos com as pessoas que já se foram, é que enche as igrejas e templos e bolsos por aí afora. Essa promessa, que gera um conforto momentâneo. Vivemos uma vida dialética, entre o passado que já se foi e um futuro incerto. Esquecemos de viver o presente, de aceitar o que temos, de dar valor ao que possuímos. Não damos valor ou esquecemos por exemplo, dos amigos, dos familiares, do professor, do motorista do ônibus, não enxergamos o que realmente importa.

Projetamos coisas que não podemos ter, sonhos que talvez nunca se tornarão uma realidade, e isso gera angústia. As doenças modernas estão à espreita em cada esquina, a espera de um descuidado que vagueia com o rosto na tela do celular. Solitários somos cada vez mais, egoístas e egocêntricos.

Segundo Epíteto, filósofo estoico – “Quanto a cada uma das coisas que sucedem contigo, lembra, voltando a atenção para ti mesmo, de buscar alguma capacidade que sirva para cada uma delas. Caso vires um belo homem ou uma bela mulher, descobrirás para isso a capacidade do autodomínio. Caso uma tarefa extenuante se apresente, descobrirás a perseverança. Caso a injúria, a paciência. Habituando-te desse modo, as representações não te arrebatarão”.

Procure a si mesmo, eleva tua espada acima das águas, ouça o barulho da chuva, aja com justiça e procure a sabedoria nos lugares mais incertos, seja e aproveite o hoje, viva mais, ame mais, sorria mais, se alimente com calma e com qualidade. Domine seu lado animal, seus impulsos seja senhor do seu lado irracional, diga não e se ponha no controle da sua vida, sendo assim diga todos os dias ao acordar, bom dia angústia.

Célio Bernardo – @kiekgaard

De olhos fechados

Sinto pena dos desesperados que com seus sonhos na palma das mãos, escorrendo por entre os dedos deduz, seduzido por outro, o quer comprar para ocupar o espaço entre um porta retratos e outro. Várias imagens me seduzem, poucas me contentam, um monte de subjetividades sendo batidas no liquidificador, bebo de olhos fechados esse liquido com um gosto que não condiz com a imagem.Sofro em silêncio, calado, mudo, atordoado pelo barulho do ventilador que leva para longe meus desejos e vontades, amordeçado, roto, mudo. 

O controle remoto não funciona, o quarto está escuro, você dorme e eu viajo nas palavras não ditas, nos sorrisos contidos, nas fórmulas não resolvidas. Viajo com pequenos regressos porém sempre com os mesmos desejos!

ciúmes da lua

…a lua desperta inveja até em postes.

Descobrimos todos s dias o quão ignorante somos ao perceber que podemos mais. Sermos mais tolerantes, sermos mais amigos, sermos mais. Temos a idéia nonsense de que a felicidade é tangível, de que podemos alcançá-la, não. E em alto e bom som ela está presente em todos os momentos de nossas vidas, basta reconhecerem. Um pai ao segurar seu filho, alimentar de dois em dois minutos um gatinho recém nascido e órfão, com 200 ml de leite preparado, amornado, e num colo acalorado receber sua recompensa depois de miados agudos e hipnotizantes e ter o delicioso silêncio imperando. Ficar roxo de tanto rir, e rir da vermelhidão alheia, o mojito voltou depois de um grande passeio. Até um poste de luz tem sonhos…sonha em ser lua, pois ninguém sonha com postes e sim com luas. O momento não pode ser equacionado com o tempo de espera pela sua tão oblíqua visão, seja amplo. Comungue sua felicidade é bom termos testemunhas, relativizada são os sentimentos mundanos, ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado, olhe com paixão, derramem seus olhares, vulgarizem seus muros e joguem fora os tijolos. Não cuspa sacrilégio ao sorrir diante de uma sensação falsa de conquista de algo embasado no seu valor comercial, imposto, que você calcula pelo valor monetário estampado em cifras, comece prestando atenção em seus pais e nos olhares que eles trocam, no carinho que sentem, no tom de voz que eles usam ao te chamar em algum canto da casa, no cuidado que eles tem com vocês, no calor do abraço que dão, agora tentem valorizar isso comercialmente, principalmente se um deles não esteja mais aqui, reconheça esses momentos. Aposente sua visão do outro e cultue seu próprio Eu, a vida do outro não te interessa, você sentirá uma paz tão grande que por momentos confundirá com felicidade.

Sonhe mais com postes!

Üntermench

Não sei onde foi parar o ser do humano. Somos constantemente bombardeados por reportagens, imagens, falas, fotos, filmes de toda a espécie, num amalgama de sensações e sentimentos. Tenho a impressão que com o passar dos anos, com o avanço tecnológico os fatores negativos superam os positivos, ou é só impressão?  Nietzsche, além de desprezar a democracia, abominava o liberalismo, o socialismo, o feminismo e o cristianismo, vistos como manifestações de debilidade, como expressão de uma vontade majoritária de carneiros, de fracos e de covardes, dos inferiores (Üntermench) enfim, complemento com o sistema capitalista, forjador de alienados de toda espécie, alienados de suas vontades, seus sonhos, seus desejos mais íntimos. Complemento quê que junto a ele, se aproxima do processo totalizante, a indústria cultural, que arrasta milhões para um cemitério, mas não arrasta os mesmos pés para a batalha campal contra um político corrupto, leiam-se vários. Somos selvagens em pele de homem ou homens em pele de selvagens?

Não sei onde foi parar o ser do humano. Absorto pelo que leio nas redes sociais, tento proteger minha boca, calar meus ouvidos, proteger minha moral, encapar minha ética contra essa doença transmissível do jeitinho brasileiro de ser, a que somos todo santo dia, copular com o último sentimento contido no fundo da caixinha de música de Pandora, dançando sob o véu da ignorância. O poder da retórica é grandioso, tolo aquele que acha que o detém, absorto em seus egos gordos, alimentados por esqueléticos mortais, nus em sua dignidade de brasileiro. Quisera eu ter uma Espada do Cloud…

Não quero ser famoso, quero ser importante. Importante para quem me importa, seguir o caminho que me ensinaram bravamente diante das circunstâncias, batalhar todos os dias contra a imprudência alheia, abraçar todos os dias com amor os DJs com gelo nas mãos, a Cigana com olhos de Capitu, a lua e sua chuva de uma pedra só, abraçar meus olhos, meu coração e meus sentidos, pois não são mais meus, não quero ser famoso quero ser importante para quem me importa. Fernando pessoa não era nada, não queria ser nada, mas guardava em si todos os sonhos do mundo, não chego a tanto, pela humildade ao poeta e pela pequenez do meu ser. Posso apenas querer um só, ele já me satisfaz.

E por fim, aos informados desinformados de plantão, ao utilizarem algum livro sagrado para alguma religião, o faço por completo, não utilize pequenos trechos escolhidos a bel-prazer para saciar seu desejo apequenado de tentativa de menosprezar o outro, resigne-se na sua inferioridade perante o Deus que tu próprio cultua, e seja mais tolerante com aquele que não lhe fez mal algum, pois a sua verdade é uma falácia.